Segunda-feira, Junho 23, 2008

Alerta de quebradeira!!!

Não sou favorável a espalhar notícias alarmistas sem comprovação, mas a notícia publicada no último dia 19 de junho no jornal eletrônico Telegraph.co.uk me chamou atenção, principalmente por conta dos últimos acontecimentos que estamos apreciando mundo a fora: alimentos em alta; petróleo que não para de subir; inflação crescente; crise americana, e por aí vai. Quem quiser pode acrescentar mais algumas preocupações que rondam os mercados.
O fato principal noticiado é que o The Royal Bank of Scotland estaria alertando seus clientes para estarem atentos quanto a uma possível quebradeira geral no mercado de ações e crédito que poderia ocorrer nos próximos 3 meses, quando a inflação crescente paralisaria os maiores bancos centrais.
Você pode encontrar trechos da análise desenvolvida por especialistas do banco aqui e aqui.
Como o tema envolve grandes somas circulando nos mercados, gerentes de fundos internacionais de investimentos se apressaram em reagir fortemente e recomendar aos investidores que tenham calma, pois a coisa não é bem assim. Leia aqui alguns posicionamentos.
Pelo sim, pelo não, resolvi publicar esse post. O resto é com cada um. Interpretações, análises, especulações, apostas, etc, etc, façam as suas.

 
 

Segunda-feira, Junho 16, 2008

Mais sobre a Vale

Tenho recebido perguntas sobre a Vale e seu futuro. Será que vale (sem trocadilho) a pena manter o papel, ou vender? Invariavelmente, essa é a questão que vem sendo colocada. Aqui vai minha opinião.
Devo dizer que não sou muito afeto a dar conselhos, pois se os mesmos fossem bons, não seriam dados e sim muito bem vendidos. Mas vamos conversar um pouco sobre o tema Vale, sem nenhuma responsabilidade sobre conclusões que queiram tirar.
Não nos esqueçamos de um ponto relevante: um dos eventos, perder ou ganhar, só ocorre quando qualquer ativo é vendido. Até lá o investidor está posicionado em um ativo que sofre a influência do vai-e-vem do mercado. Mas vamos lá: ao olharmos o gráfico de Vale, por volta do dia 26/04, encontramos bons dias para a compra: as indicações eram de alta, o que ocorreu até o dia 20, quando o papel se mantinha dentro de um estreito canal de alta, embora sempre ameaçando estourar a parte superior das Bandas Bollinger, o que indicava um certo risco de reversão. Essa situação (reversão) se consolidou no dia 26/05, com a confirmação através do gráfico parabólico.
Daí para a frente foi só queda. Hoje, Vale estava a R$ 47,10, no momento em que escrevia esse post, ainda em terreno de baixa, pois rompeu uma forte linha de suporte na casa dos R$ 47,68. Outra linha de suporte está situada mais abaixo, em R$43,94. Caso caia abaixo desse valor, a situação pode se tornar preocupante.
Ao estudarmos o caso Vale, temos que levar em consideração um fator, que embora não garanta subidas constantes, pelo menos dão um certo conforto: a Vale é uma empresa com alta liquidez na Bolsa.
por outro lado, a intenção (ou necessidae? Ou estratégia?) em participar ativamente do processo de consolidação da indústria siderúrgica (por meio de compras e fusões), que vem acontecendo em nível mundial, pode estar trazendo alguma preocupação para os investidores em Vale. Haja visto a proposta, já arquivada na CVM, para emissão de US$ 14 milhões em ações. Está escrito no press release distribuído, que "A Vale pretende utilizar os recursos líquidos provenientes da oferta para fins corporativos gerais, o que pode incluir o financiamento de seu programa de crescimento orgânico baseado no plano de investimentos de US$ 59 bilhões, aquisições estratégicas (grifo meu) e a ampliação da flexibilidade financeira." Essa pode ser uma forma que a Vale está buscando para não aumentar seu endividamento.
Outro ponto a considerar: hoje, a Vale tem grande número de acionistas estrangeiros, não só em ADR, mas também no mercado da BOVESPA e alguns analistas andam apontando que os estrangeiros estão saindo do papel, após o anúncio de aquisição, ou intenções de aquisições, mais recentes.
Por outro lado, o preço das commodities está em queda no mercado mundial e os australianos, principais concorrentes da Vale no mercado chinês, estão oferecendo preços mais competitivos, por razões ligadas ao frete, muito embora o minério da Vale seja apontado como de melhor qualidade, o que vem garantindo seguidos valores-prêmio ao produto nacional.
Assim, o momento para a Vale não se mostra muito favorável no mercado internacional, sua principal fonte de receita.
No entanto, é o que sempre digo: realizar prejuízo, nem sempre é uma boa política, principalmente quando se trata de uma empresa como a Vale, com boa política de governança corporativa, com forte credibilidade no mercado internacional, e por aí vai.
Acredito que Vale ainda venha a se recuperar, mas recuperação é uma expectativa que está diretamente ligada a tempo. Nada sei sobre a expectativa de cada um com relação a ganhos e prazos, mas devemos sempre levar em conta que Bolsa não deve ser considerado investimento de curto prazo, muito menos, investimento de ganho fácil e garantido. Há sempre os percalços de todo e qualquer investimento ligado à renda variável.
Não sei se ajudei, ou compliquei, mas não nos esqueçamos daquele ponto fundamental que mencionei lá no início: em Bolsa, só ganhamos ou perdemos quando realizamos a venda de um ativo, qualquer que seja!

 
 

Quarta-feira, Junho 11, 2008

Onde estamos, no momento?

Rich Greifner escreveu um artigo interessante sobre o mercado de ações americano, que transcrevo aqui com partes que julguei principais.
Lá ele diz que os valores das ações cairam bastante, depois de terem atingido picos históricos e que, em decorrência desse fato, a revista Forbes consultou quatro analistas de renome e pediu a eles que expressassem seus pontos de vista sobre a situação: teria o mercado atingido realmente o seu fundo, ou ainda poderia cair mais? Aqui estão as opiniões:
"As ações estão em baixa, as expectativas estão em baixa, as avaliações estão em baixa, os medos estão em alta e os recentes cortes do FED nas taxas de juros fizeram as ofertas de dinheiro dispararem. Estas são todas notícias positivas para os mercados. Os significativos volumes de venda, ou vendas devido ao pânico instalado, nos ultimos meses, indicam que chegamos ao fundo." - Stuart T. Freeman, A.G. Edwards.
"Estamos em uma area de transição, mas a tendência mostra que já estamos no fundo, ou muito próximo dele. Daqui para a frente, altas deverão acontecer, embora a questão seja o quanto rápido acontecerão." - Holly Gustafson, Legg Mason.
"Podemos ver uma retomada altamente sustentável a partir do ponto em que estamos." - Joseph Kalinowski, Thomson Financial/IBES.
"O fundo ocorreu em março." - Daniel Peris, Argus Research.
Estariam corretas as previsões dos especialistas? Eu não teria tanta certeza.
Essas afirmações foram feitas em maio. Maio de 2001, melhor dizendo.
Greifner menciona que depois de um extensor rali de alta, o índice S&P 500 caiu significativamente ao final de 2000, caracterizado por bruscas variações de preços e grande volatilidade. Na primavera de 2001, o mercado recuperou-se temporariamente, e os especialistas consultados pela Forbes concordavam queo mercado havia chegado ao fundo. Eles estavam redondamente errados.
E ele continua dizendo que nos quarto meses seguintes, o S&P 500 caiu 24%. Recuperou-se ligeiramente e caiu mais 30%. Eles estavam errados. Estavam espetacularmente errados.

Mas qual seria a moral da história?
O fato de ter citado um artigo da Forbes de sete anos atrás, diz ele, não é para colocar em cheque as previsões dos analistas. E sim para chamar a atenção para o fato de que muitos investidores, em maio de 2001, acreditavam firmemmente que o mercado de ações estava pronto para uma retomada. Em lugar disso, ficou constatado que as previsões quanto às tendências do mercado quase sempre são imprevisíveis, bem como os retornos sobre investimentos feitos.
Que isso sirva de ensinamento para muitos de nós.

 
 

Fertilizantes, uma nova oportunidade no mercado de ações?

Além de operar plataformas de petróleo, a Petrobras (PETR4) agora planeja intensificar sua participação no ramo de fertilizantes. O Governo quer reduzir a dependência externa dos fertilizantes e ampliar a oferta, já que o Brasil é um grande demandante do produto. A forte demanda por fertilizantes e a volumosa procura por alimentos deverão proporcionar grande impulso ao mercado de adubo, agregando receitas à Petrobras.
Não podemos nos esquecer de uma empresa já há anos no mercado de fertilizante
s, que foi privatizada em 1992 e que vem apresentando no último ano resultados promissores: a Fosfértil.
O Conselho de Administração da Fosfertil aprovou investimento que compreende a abertura de uma nova mina de rocha fosfática na região da cidade de Patrocínio – MG, com capacidade de 2 milhões de toneladas de rocha. Será construída, também, uma nova unidade industrial para produção de produtos fosfatados de alta concentração com plantas de produção de ácido sulfúrico, ácido fosfórico e dos fertilizantes MAP, DAP e TSP. O valor do investimento está estimado em R$ 2 bilhões e o início da operação, previsto para 2011.
No cenário internacional dos fertilizantes, o Brasil responde apenas por 2% da produção e 6% do consumo mundial, sendo muito dependente de importações para abastecer o mercado interno. Atualmente, cerca de 74% do NPK (nitrogênio, fósforo e potássio
– macronutrientes básicos para formulação de fertilizantes) consumido no país vem do exterior.
O início do projeto de expansão da Fosfertil vem em um momento em que a necessidade global por fertilizantes está em crescimento, devido ao aumento da demanda de países como China e Índia e à produção de biocombustíveis (especialmente nos Estados Unidos). No Brasil, o setor registrou em 2007 um crescimento superior a 17,3% na entrega de produtos ao consumidor final.
Segundo analistas, os investimentos previstos apresentam potencial de duplicar o faturamento da Fosfértil porque os preços não param de subir, sob influência direta do comportamento externo, o que, aliás, tem provocado fortes reclamações dos produtores aqui no Brasil e no mundo. Recentemente inclusive, o governo brasileiro começou a facilitar as importações e a estimular um incremento da oferta no país.
No que se refere aos resultados da Fosfértil, os números a seguir bem demonstram o que vem acontecendo: o lucro líquido da empresa no período 01/10/2008 até 31’/03/2008 alcançou R$ 128.433.000, contra R$ 50.345.000 em igual perí
odo de 2007; um crescimento de cerca de 155%.
Hoje, a Fosfértil é uma empresa chave no agronegócio brasileiro, pois é a maior fornecedora de produtos fosfatados e nitrogenados para a produção de fertilizantes do país. É controlada pelas gigantes americanas Cargill e Bunge.
Na Bolsa de Valores de São Paulo, as ações da empresa apresentam crescimento significativo há quase um ano, sem perspectiva de reversão do quadro (vejam gráfico). Portanto, vale a pena ficar de olho!

 
 

Braskem anuncia investimentos

A Braskem anuncia investimentos no Pólo Petroquímico de Triunfo no montante de mais de R$ 1,0 bilhão nos próximos 3 anos, além da decisão de produzir polietileno verde no Rio Grande do Sul.
O grande destaque desse novo compromisso de investimento é a decisão de instalar o projeto de polietileno verde em Triunfo, com investimentos estimados entre R$ 400 e R$ 500 milhões. Será a primeira operação em escala comercial no mundo para produção de polietileno verde a partir de matéria-prima 100% renovável.
O projeto de polietileno verde terá uma capacidade de produção de 200 mil toneladas por ano e um faturamento previsto da ordem de US$ 400 milhões/ano. O recebimento de matéria-prima será feito via Terminal Santa Clara. Inicialmente, o álcool será adquirido na região Sudeste. O consumo anual de etanol para esse projeto será de aproximadamente 450 milhões.
O início da implantação física do projeto, uma vez aprovado pelo Conselho de Administração da Braskem, deverá ocorrer ainda em 2008 e a unidade está prevista para entrar em operação em 2010.
A demanda potencial já identificada pela Braskem para o polietileno verde é cerca de três vezes maior do que a capacidade da planta a ser instalada em Triunfo. A resina tem aplicação em mercados como os de embalagens sopradas para alimentos e produtos de higiene, embalagens
injetadas para utilidades domésticas, indústria de brinquedos e automobilística. Trata-se de um nicho muito valorizado, disposto a pagar um prêmio entre 20 a 30% em relação ao preço da resina tradicional, com forte demanda especialmente em países onde a questão ambiental tem maior relevância, como Europa, EUA e Japão.

Fonte: Braskem; PR Newswire do Brasil.